Seja Bem Vindo!

Eu não preciso de ti. Tu não precisas de mim. Mas, se tu me cativares, e se eu te cativar...Ambos precisaremos, um do outro. A gente só conhece bem as coisas que cativou, por isso tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!

(Antoine de Saint-Exupéry).


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Bom dia...com Rubem Alves



Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser
milho para sempre. Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando
passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa.
Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser
é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação
que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora:  perder um amor, perder um filho,
o pai, a mãe, perder o emprego ou  ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro:  pânico, medo, ansiedade,
depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade
da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela,
lá dentro cada vez mais quente, pensa que
sua hora chegou: vai morrer. 
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma,
ela não pode imaginar um destino diferente para si. 
Não pode imaginar a transformação que está sendo
preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo
de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo
a grande transformação acontece:   BUM!
E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente,
algo que ela mesma nunca havia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. 
São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente,
se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir
coisa mais maravilhosa do que o jeito delas  serem.
A presunção e o medo são a dura casca do milho
que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste,
já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. 
Não vão dar alegria para ninguém.

11 comentários:

Yasmine Lemos disse...

E depois de todo o processo..."é preciso saber viver" e ser.
Bom dia Mari! beijão

JOE ANT disse...

"Não vao dar alegria para ninguém"
...
Nem para elas próprias.
Pois dadas a sua inutilidade no contexto, serão jogadas no lixo.
...
Ainda pode ser que haja "alguma ave" que as veja e delas se alimente.
...
Se asssim não for, fazem juz ao ditado:
"Longe da vista, longe do coração"

Misturação - Ana Karla disse...

Bom dia Mari!
Quero explodir sempre.
Porém sei que antes vem sempre uma dor.
Esse texto é novo para mim e o guardarei para sempre.
Xeros

Guará matos disse...

è verdade. Só evoluimos quando somos sacudidos. Se não for assim ficamos mesmos sem conteúdo.

Bjs.

angela disse...

O jeito então é arder no fogo.
Belo texto.
beijos

Cantinho She disse...

Mari, minha querida, simplesmente sensacional! E combinou muito bem com o meu post que fiz para participar da blogagem coletiva em comemoração do blog da Elaine Gasparetto, Um Pouco De Mim, a proposta era falarmos sobre "O Melhor De Mim" e o que falei lá, no meu texto, é superhiperultramega bem complementado por esse aqui, adorei!

Beijo, beijo! ;)
She

Mariana disse...

é depois dos momentos difíceis é q ficamos mais forte e passamos valorizar o q realmente importa.
Grande texto.

M. Sueli Gallacci disse...

Oi Mari,

Adorei o texto, simplesmente fantástico!

Há uma frase muito engraçada que diz "Que tudo depende da temperatura do óleo que influi no pulo da pipoca" rsss

Mas é verdadeira. Tem que tacar óleo bem quente para ver se essa "gente piruá" pula, acorda, passe a dar valor à vida e a agradecer por ela. E valorizar a vida alheia, o que é mais importante.

Bjo enorme, linda!

Maria José disse...

Mari. Lindo texto. Lembrou-me um que nos pergunta: Você é do tipo cenoura, ovo ou pó de café? Você é como a cenoura que parece forte, mas com a dor e a adversidade murcha e se torna frágil e perde sua força? Será que você é como um ovo, que começa com um coração maleável, com um espírito fluido, mas depois de alguma perda, separação, doença ou demissão, você se torna mais difícil, duro e inflexível? Ou será que você é como o pó de café? O café muda a água fervente, o elemento que lhe causa a dor, quando a água chega ao ponto máximo de sua fervura, ele consegue o máximo de seu sabor e aroma.” Somos nós os responsáveis por nossas próprias decisões. Cabe a nós, somente a nós, decidir se a crise irá ou não afetar nosso rendimento profissional, nossos relacionamentos pessoais, nossa vida.
Sejamos sempre o doce aroma do café, para transformarmos a adversidade em algo melhor, sempre amparados por Deus.
Grande beijo.

Estrela disse...

Mari,
Oieee...hj vc me fez lembrar do meu curso de enfermagem no último dia de aula a professora leu esse texto.
Muito lindo!!
Passando por aqui p/ lhe deixar uma beijoca no coração (*_*)

Mari disse...

Que bom quando um texto nos leva à reflexão ou nos leva de encontro a doces recordações.
Também acho este texto super apropriado...é do tipo que é sempre bom a gente dar uma lidinha.

Beijos

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