Seja Bem Vindo!

Eu não preciso de ti. Tu não precisas de mim. Mas, se tu me cativares, e se eu te cativar...Ambos precisaremos, um do outro. A gente só conhece bem as coisas que cativou, por isso tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!

(Antoine de Saint-Exupéry).


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Liberdade de sentir



Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
(Fernando Pessoa)


Ufaaaaa!!!
Acredito que hoje, finalmente, consegui me livrar do pouco que ainda tolia a minha verdadeira liberdade de sentir.
Acabei de jogar fora algumas fotos antigas, algumas cartas esquecidas, alguns emails lidos e relidos, alguns contatos desnecessários na agenda, nas redes sociais...
Eu insistia em manter pessoas e coisas que nada mais acrescentam em minha vida, em meio às minhas coisas e em minha vida.
Tinha medo de apertar o "delete",ou  "excluir", ou "apagar" e depois me arrepender de tê-lo feito.
Passei um tempo assim, entre o medo e a covardia...entre o impulso e a coragem, entre a prisão e a liberdade!
Mas hoje, fiz o que precisava fazer...e limpei tudo, gavetas, bolsa, agenda, emails, contatos...tudo!
Senti de repente uma coragem tão grande e me deixei levar por ela.
Nem lembro quanto tempo faz que eu não apertava tanto a tecla "delete". Acredito a minha tecla delete "interior" estava travada...e por isso não conseguia utilizá-la adequadamente.
Que sensação maravilhosa e indescritível eu senti, enfim eu estou livre de tudo que não agregava.
E o melhor de tudo é esta sensação de liberdade e poder que invade a minha alma...e orgulho, um orgulho danado de mim, que finalmente virei páginas mal escritas e deletei tudo que me machucou...
Foi uma hibernação um tanto longa a minha, mas como a gente sempre escuta por ai, tudo acontece a seu tempo...e o meu tempo haveria de chegar...e chegou.
Matar o que ou quem um dia amamos não é tarefa fácil não! Requer uma força hercúlea e um vontade de ferro!
O tempo de cada um é diferente, a vontade, a força...enfim cada um tem uma necessidade diferente...
Decidir quando parar de se machucar às vezes demora, porque no fundo, não percebemos que estamos nos auto flagelando...e seguimos com os comportamentos tão velhos quanto aquilo que sentimos...
Mas hoje eu acordei...assim, do nada, quando percebi estava "deletando" tudo que já não cabe mais aqui dentro de mim, tudo que estava me fazendo mal...e também aqueles que já não cabem mais em minha vida, passada, presente ou futura.
Pensei que fosse ficar dolorida, entristecida...até mesmo um tanto vazia.
Que nada! O contrário sucedeu comigo!
Sinto-me alegremente LIVRE, feliz, renovada...preenchida de vida e de amor....por mim!
Ah! eu mereço muito mais...mereço a plena liberdade de sentir!


Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.

(Clarice Lispector)
By: Mari

12 comentários:

Abel Ribeiro disse...

Algumas vezes sabemos dentro de nós que devemos fazer qualquer coisa semelhante a plantar uma árvore, mesmo sabendo que nunca comeremos dos seus frutos nem descansaremos à sua sombra. Ou descobrimos que devemos aplicar-nos não tanto ao nosso pequeno problema, mas a reconstruir as ruínas imensas que nos rodeiam. E nunca como então somos tão grandes. E nunca como então estamos tão perto de nós mesmos.

Quem compreendeu o que é a verdade amou-a. Procurou e escavou. Desejou-a para si e para os outros, porque não há outra luz. Depois sofreu por ela, porque em toda a volta a mentira é poderosa. E continuou, sem se calar, com esse amor e a sua dor.

Quem vive para a família é habitado por ela e torna-se maior e faz o que nunca faria se vivesse para si mesmo.

Aquele que escutou os gritos silenciosos das crianças assassinadas antes de verem a luz – e as dores das mães enganadas que sofrem sem remédio – leva consigo o maior peso do mundo. Aparentemente pode pouco contra aqueles que se instalaram nos lugares onde se fazem as leis e se manobram televisões e jornais. Mas é um gigante todo aceso. Queima. E são os seus braços que sustentam este mundo doente.

E há o que quis ser médico não para garantir uma vida cómoda, mas para devolver ao mundo sorrisos que se tinham perdido. E o que sofre em si toda a fome de África. E o que se enamorou da justiça. E aquele que cuida de crianças incuráveis.

Uma vez perguntaram a um alpinista por que desejava escalar o alto pico nevado. Respondeu: “Porque ele está ali”. Queria com isso dizer a naturalidade do encontro do homem com o seu sonho, com a sua tarefa, consigo mesmo.

É triste viver sem grandeza. É como estar longe de nós mesmos. É ver apenas as sombras do mundo e da vida. É, de algum modo, não viver…

As coisas grandes são aquelas que o amor nos leva a fazer, e muitas vezes realizam-se por meio de pequenos gestos. Fazem-se pisando os nossos apetites e gostos, abandonando o cómodo estojo no qual temos tendência a encerrar a nossa existência.

Um dia sabemos que temos de partir. Que temos de fazer da vida uma outra coisa. Simplesmente isto. E vamos…

Nunca mais a paz de sermos inúteis; nunca mais os prazeres que não saciam, nunca mais a ânsia de segurança que nos vai roendo a juventude e a alegria.

É difícil subir o monte altíssimo. É preciso trocar tudo pelo instante mágico de chegar ao cume. Ali tudo é radicalmente verdadeiro: não é possível fingir que se vai a caminho. Deixam-se as forças na íngreme escalada, rasga-se a pele nos rochedos, abandona-se o aconchego do calor do corpo ao vento e à neve e ao gelo. Caímos e apetece-nos ficar por ali. Por vezes não sabemos se conseguimos dar mais um passo.

Mas é tão belo! Só ali se respira verdadeiramente. Só ali se vêem todas as coisas com o seu verdadeiro relevo e com as suas cores verdadeiras. Só ali um homem se sente realmente rico – ele que deixou tudo lá em baixo.

Os amigos que se fazem na montanha duram para sempre: nasceram da magra ração repartida debaixo das estrelas, de se apoiarem uns aos outros quando o que estava em jogo era a vida ou a morte, de cantarem juntos, das longas confidências testemunhadas apenas pelo vento.

Na montanha os amigos não são descartáveis companheiros de divertimento: precisam mesmo uns dos outros, fazem parte uns dos outros, uns são os outros.
Os que ficaram lá em baixo chamam-nos loucos. Encolhemos os ombros: esses queridos estão vivos, mas ainda estão mortos. Uma pessoa não vive quando vive apenas para si mesma. Não se vive sem sal, sem risco, sem aventura. Estão a precisar de uma inundação de alegria.

E tu? Eu quereria que partisses. Não necessariamente de um lugar para outro, mas para fora de ti. Para onde precisam de ti. Para te encontrares.

E, se às vezes te falo de paciência, digo-te agora que te apresses. Tenho pressa de te conhecer. Se também eu for corajoso, havemos de nos encontrar e saberei o teu nome. Trocaremos um abraço forte e saberemos que era necessário que nos encontrássemos.

✿ chica disse...

Fazer essas limpezas é preciso e nos alivia mesmo!


Um lindo fds!bjs,chica

Aninha disse...

Mari, compreendo perfeitamente o que diz!
E por acaso também já fiz essa "faxina" - interior e exterior.
Ficamos com certo receio do vazio, como voce própria diz, e muito bem.
Mas o que senti quando o fiz, já no final, foi de limpeza espiritual! O peso na bagagem diminui! É isso que devemos fazer sempre! Uma limpeza, um descarte de tudo aquilo que não nos faz falta!

Um abraço da sua amiga virtual.

Ah, e já agora... adoro as citações de autores que postas aqui no teu cantinho de sonhar!
É sempre bom te visitar!!!

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Mari, que postagem legal! Adorei isso. Agora passo a entender o que Jesus queria dizer quando falava em abandonar o homem velho e passar a ser o homem novo. É ter a coragem de "deletar" tudo o que já não nos pertence e nem vai pertencer. Tudo o que nos atrapalha para sermos felizes. Linda atitude a sua.
Beijos no seu coração.
Manoel.

Mari disse...

Abel,

Lindíssimo o seu texto. Obrigada pelo carinho!
bjs

Mari disse...

Oi Chica querida,
Com certeza minha amiga, precisamos é coragem para enfrentar o que nos machuca!
bjs

Mari disse...

Então Aninha, estes momentos podem até ser dolorosos, mas certamente nos renovam!
Beijo e bom final de semana!

Mari disse...

Oi Manoel, boa noite.
Desabafo...este meu Cantinho, não é só para postar alegrias e pensamentos de grandes escritores, arrisco-me, muitas vezes...a desabafar por aqui, sem pretensão...só com a intenção de compartilhar minhas experiências!
Um beijo, bom final de semana!

Zélia Cunha disse...

Boa noite, Mari. Passando por aqui dando uma olhadinha no seu blog. É muito bom estar aqui, seus textos são atraentes nos convidam à leitura. Lendo a sua apresentação notei que temos muitas coisas em comum. Também penso que devemos fazer um ato de desapego, nos livrar de coisas que de certa forma nos pesam e sair da mesmice, procurar novos ares ousar,buscar novos espaços, novas amizades desfrutar de nossa liberdade.
A você o meu carinho
Beijos

Andre Martin disse...

QUE CORAGEM!!!!
É de se orgulhar mesmo!
Poucos são os cirurgiões habilidosos que se operam.
Admiro muito você!
Preciso aprender a me enfrentar assim! rs
No presente, ainda brigo comigo, entre o passado e o futuro.

Mari disse...

Olá Zelia, seja bem vinda!
É verdade, de tempos em tempos a reciclagem se faz necessária, não podemos nos acostumar, principalmente com aquilo que não nos faz bem.
Beijo

Mari disse...

Oi Andre,

Nem sempre é fácil e vou te confidenciar uma coisa meu querido, às vezes demora, falta coragem, ânimo, força...
Mas uma hora há que se dar um basta, arregaçar as mangas e mexer naquilo que nos incomoda e faz sofrer. Dói tanto no começo, mas depois vem uma paz e uma sensação de enorme liberdade e a vontade de seguir adiante.
Feito borboleta meu querido, estou deixando um casulo para trás!
Beijos

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